NO CHUVEIRO

 

 

Era cedo ainda...

Ele  me acordou, olhou-me nos olhos com um carinho não habitual, abraçou-me forte. Apertou-me contra seu peito másculo. Beijou minha nuca, costas e coxas. Tirou minha camisola preta. Despiu-me por completo. Num gesto inesperado tomou-me nos braços e carregou-me até o banheiro.

Não entendi aquela atitude, pois havia uma semana que não nos falávamos. Optamos pelo silêncio, porque o desgaste da nossa relação não cabia mais palavras. As mágoas haviam corrompido nosso amor, nosso desejo mútuo. Naquela manhã parecia que principiava uma trégua nas desavenças. Estávamos extremamente excitados, estava louca para ser penetrada, queria transar alucinadamente.

fiquei surpresa quando ele ligou o chuveiro e começou a me dar banho. O sabonete deslizava por entre meus seios, barriga e todo meu corpo. Ele  me banhava como se eu fosse uma criança indefesa, carente... Sua ternura era tosca, pueril e comovente.

Meu mundo naquele momento estava em câmara lenta. A água caía em slow down , lavando nosso corpo e todo o rancor que havíamos acumulado durante nossa longa convivência. Ele tocava nos meus cabelos molhados como se quisesse  proteger-me de alguma coisa que eu não conseguia decifrar.

Não fizemos amor. Ele desligou o chuveiro e me abraçou carinhosamente. Fitou-me novamente nos olhos e sem dizer uma só palavra esboçou um indefectível sorriso. Foi o primeiro banho de chuveiro, a dois, em 15 anos de casamento. Aquele momento único foi também a nossa despedida.

 

M.A.

 

 

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