CONFISSÕES DE UMA MULHER DE 46 ANOS

De repente acordei... e cá estou eu fazendo 46 anos. Qual a sensação? A mesma de quando se tem 20, 30... porque as emoções e desejos não envelhecem, o que se transforma, inexoravelmente, é o corpo,  a decrepitude física, no entanto,  é uma sentença implacável a  qual estamos todos fadados! Queiramos ou não,  ela se processa indiferente à nossa síndrome de Peter Pan, luta inglória  pela busca da eterna juventude. Hoje aceito, com certa tranquilidade, as marcas e sinais do tempo, pois  são grafias impressas em minha pele que revelam minha história de vida,  registro das minhas vivências, das dores e delícias que saboreei.
 

Nessa minha caminhada tive muitas alegrias e um punhado de tristezas. Algumas vezes , fui  ao fundo do poço, mas não me permitir ficar naquela estranha zona de conforto por muito tempo, pois sabia que na superfície havia muito a ser realizado  por mim e a esperança me convocava à ação.
 

Já tive alguns relacionamentos rompidos, pactos desfeitos, juras quebradas. já chorei  e sofri por amor, já fiz outros tantos sofrerem. Já realizei alguns sonhos, outros ainda  sonho em realizar: quero viajar pra lugares que só conheço pela TV, esbarrar no homem da minha vida, entrevistar Almodóvar e viver de blog (risos).
 

Ainda não fiquei rica, não plantei uma árvore, nem publiquei meu livro (embora já o tenha escrito), contudo ganhei a dádiva da maternidade, perdoe-me o clichê! Minha filha JASMINE é, incontestavelmente, a minha verdadeira fortuna, meu bem inalienável.

 

Aprendi que com os anos, você não se torna uma pessoa melhor,  mais madura intelectualmente, com senso de autopercepção apurado: isso é mito! Somos o que somos independente da idade que tenhamos. Nossos pecados não são absolvidos quando envelhecemos, não conquistamos o salvo-conduto para o céu, porque ganhamos cabelos grisalhos. A mudança positiva, só se processa em nós, quando tivermos a coragem para realizar a tão difícil, porém necessária “reforma íntima”.  
 

Hoje compreendo que se conectar com  a espiritualidade é o único caminho seguro para  quem quer aliviar as angústias e incertezas da vida. Não existe atalho! É nela que me agarro, tal qual um náufrago, quando minhas forças parecem esfalecer.
 

Percebo que hoje sou mais tolerante comigo mesma e com os outros, tento praticar mais assiduamente o perdão e o autoperdão, porque não sou perfeita e não  posso exigir perfeição de ninguém. Entendo com mais clareza que  o outro só vai até onde seus bloqueios lhes permitem ir. É inútil debater-se contra essa verdade . E que me encher de expectativas é frustração garantida.
 

Aprendi que a felicidade é fugidia, que corremos o risco de passarmos por ela e não nos apercebermos, porque estávamos ocupados  demais com outras inquietações. Que para ser  realmente feliz, uma pessoa só  precisa  ter saúde, serenidade, paz interior e entusiasmo pela vida.
 

Ah! Aprendi também que o sorriso é a legítima expressão da alma livre, energia vital  poderosa que  atrai tudo de belo e de bom!!!!

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