CRÔNICA DE UMA VIAJORA: O CAMINHO DE VOLTA...

Por muito tempo amarguei uma solidão corrosiva, vivia atormentada por uma angústia indecifrável e um  vazio impreenchível... Sabe aquela sensação de não-pertencimento? De não fazer parte de nenhum lugar ou de coisa alguma?  Sentia-me abandonada, esquecida, relegada. Um dia desses, tive um insight revelador, minha autopercepção foi instantânea. Descobri que ao longo da minha vida fui vítima de mim mesma, das minhas escolhas, dos meus medos, crenças e do orgulho paralisante que me impedia de enxergar o óbvio:  que eu precisava literalmente fazer o caminho de volta, reencontrar minhas raízes, fazer todos os resgastes necessários, quitar a dívida moral-espiritual que contraí  no meu passado, que até então, não me sentia devedora.  Esse choque de consciência foi o primeiro passo para a minha libertação.

A solidão que me corroía e o abandono que sentia, na verdade, eram consequências das minhas atitudes egocêntricas . O tempo todo mantive as pessoas num raio de distância bem longe de mim, tinha um medo insano de ser invadida, sempre me blindei contra todos, tinha pavor a intimidades. Fui perita em construir relações frouxas, preteri os nós afetivos que jamais se desatam na tribulação da vida. Hoje percebo que fui  eu quem os abandonou e não o contrário. Deixei pra trás família, rebento, amores, amigos. Afastei-me, fugi, vivi na minha concha, mergulhei nos meus projetos e no meu mundinho autocentrado.

Por que as coisas não saíram como o esperado? por que tanto investimento de energia, sem nenhum, ou pouco resultado? A resposta é simples: ninguém é completo e feliz sem ter alguém para interagir, trocar ideias, confidências, sorrisos, compartilhar dúvidas, certezas e alegrias. Estando só, quem vai secar suas lágrimas, te dar conselhos, esporros, abraços, aconchego? Quem vai te levantar na sua queda, vibrar com seu triunfo ou chorar junto com você a sua dor mais sentida?

A convivência é que nos torna pleno. O outro é o espelho que reflete quem somos. Como vamos por à prova nossos instintos, nossa nobreza, nosso altruísmo, caso escolhamos viver só, por puro egoísmo ou para fugir de tudo que venha  a nos testar?

Somos fortes, robustos e quase indestrutíveis quando estamos juntos e misturados. Somos felizes e prósperos quando nos relacionamos, quando vivemos em grupo, em castas, em tribos, em bandos... Quando colocamos em prática o verdadeiro sentido da palavra "troca". Quando desenvolvemos a capacidade de dar e receber com naturalidade e humildade.

 

Aprendi que nada dá certo quando se busca em caminhos errados. Que sucesso  não é sinônimo de riqueza, fama, títulos ou coisas do gênero. Que ser bem-sucedido tem a ver com autorrealização, aceitação dos próprios limites e fraquezas. É saber ser feliz, dentro da nossa condição humanamente imperfeita: instável e insegura. Gente real chora, rir,  tropeça, cai, mas possui uma enorme capacidade de se refazer e recomeçar. Afinal, o que importa mesmo é ter um sorriso no rosto e alguém para abraçar e dizer: eu te amo!

 

 

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