QUEM TEM CONTATINHOS É AGENDA


Sinto-me desajustada nesse mundo onde predominam “crushes”, “contatinhos” e “ficantes”, novas patentes amorosas que definem relações frívolas e voláteis. Sou uma estranha nesse ninho, ou melhor, nessa aldeia global. No imperativo dessa reconfiguração pós- moderna, que prima por relacionamentos instantâneos, fugazes, frios e impessoais estou realmente “fora da casinha”. O que me espanta é que por trás disso existe uma indústria que fomenta e alimenta esse desvínculo. Como podemos achar “normal” o fato de a gente ter contato físico ou sexual, trocar carícias e fluidos com uma pessoa e simplesmente ignorá-la horas depois. Descartá- la como um lenço de papel? Nem um “olá” no dia seguinte, um “bom dia” ou uma mensagem fofa. No meu código de ética isso se chama consideração. Podem me rotular de antiquada. Sou dessas! Sim, posso estar fora dessa nova ordem. Mas prefiro realmente ficar à margem a compactuar com essa falta de compromisso, leia-se compromisso: respeito. Respeito pelo outro, pelo que viveram juntos, mesmo que a vivência tenha durado apenas algumas horas ou uma noite, não importa. Houve envolvimento e nesse jogo é muito difícil alguém sair sem nenhuma expectativa. Claro que ninguém é obrigado a manter um relacionamento se esse não é seu desejo, mas as coisas precisam ficar claras para ambos. Deixar o outro no vácuo é covardia. Desaparecer, não entrar em contato, não mandar sinal de fumaça, expressa sim uma comunicação, só que dúbia: desinteresse ou jogo de sedução (para valorizar o passe), fazendo-se de “difícil”. As duas situações são lamentáveis a meu ver. Fazer joguinhos reflete uma absurda imaturidade emocional. Geralmente são pessoas inseguras, narcisistas que preferem colecionar aventuras amorosas (para se autoafirmarem) a terem relacionamentos felizes e duradouros, até porque são incapazes de mantê-los, pois são superficiais e autocentradas. Pessoas empoderadas e maduras sabem o que querem. Gostam de expressar o que sentem, sem medo de serem diminuídas em seu valor. O que se sente precisa ser dito ( não leve para o túmulo). Se o outro te faz bem, ele precisa saber, é dessa forma que as relações são construídas. Não tenha vergonha, receio ou medo da rejeição. Se expresse! A fala é a linguagem perfeita para se manter ou quebrar vínculos. As palavras ternas e sinceras criam fortes conexões e relacionamentos consistentes. Elas se acomodam no coração, até dos mais insensíveis.

#Contatinho #crush #ficante #relacionamento

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