A MATERNIDADE E SEUS CLICHÊS

Há dias venho tentando me inspirar para escrever um texto  em homenagem às mães. Bem , a inspiração parece que não quer se achegar, então resolvi  insistir, aliás teimosia é algo que me é peculiar, pois quando eu era criança e minha mãe (a sábia Minerva, este é seu nome) perdia a paciência com minha  insuportável renitência, exclamava: Eita menina teimosa!

Retomando minha saga em busca de um conteúdo palatável e digno das mamães, resolvi espremer a mente para extrair alguma mensagem que estivesse a altura desse ser mágico que Deus fez a Sua Imagem e Semelhança.  Então... a  proposta era fugir do lugar comum e não repetir aquelas frases feitas, empacotadas,  enlatadas, melosas e piegas que geram total desinteresse  para continuar a leitura, enfim...

Entretanto, o que você vai ler agora soa bem clichê: “ser mãe é padecer no paraíso”. Porém  se formos dissecar esta sentença, o que parece paradoxal (e o suprassumo do clichê) à primeira vista, tem sua coerência interna nas entrelinhas. Pois a maternidade nos torna  menos egoístas e mais completas, no sentido de experienciar o amor mais sublime da condição humana; mas ao mesmo tempo, nunca mais dormiremos o sono dos justos. Porque um filho representa preocupação vitalícia para uma mãe, independente da idade que o rebento venha a ter.

Além de ser filha de uma mulher  inspiradora e detentora de uma força espiritual extraordinária, que do alto dos 82 anos, ainda cuida de mim, como se eu fosse uma criança; tornei-me mãe de uma menina que hoje tem 24 anos (Jasmine), uma geóloga linda e corajosa que desbrava os rincões do Brasil. Hoje eu entendo o significado do tal amor incondicional e porque, inconscientemente, repetimos os clichês da maternidade: “pra mãe, filho não cresce nunca”.

Por conta disso pagamos  incontáveis “micos” (rainha das gafes, também, é um título que nos cai muito bem), tratamos e defendemos nossos filhos como se fossem  bebês que ainda usam fraldas. Somos incorrigíveis nesse aspecto, tudo isso é porque amamos exageradamente. Aliás, ser mãe é transbordar excessos. Nem sempre temos razão, às vezes, nossos conselhos não são os mais sensatos, teve momentos que erramos feio, mas a intenção era acertar bonito.

 Muitas vezes, para demovê-los de algo que o nosso sexto sentido nos adverte como sendo perigoso, caso nosso repertório de argumentos não obtenha nenhum resultado, sacamos nossa arma infalível: a velha e boa chantagem emocional. Eles não resistem. Afinal somos uma espécie de divindade ( “mãe é algo sagrado”). 

A maternidade é uma lição de vida. Os teste diários são complexos  e intensos. A tarefa não é nada fácil. Pois a nós foram confiadas criaturas para modelarmos, educarmos e apontarmos o caminho certo, quando, muitas vezes, nós mesmas estamos perdidas. Mas extraímos de dentro uma força extra (que somente as deusas possuem) para achar aquela trilha... que será a redenção.     

 

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