ROMANCE: VIBRAMOS COM O DA FICÇÃO E NEGLIGENCIAMOS O NOSSO

Já reparou como  todo  mundo torce por uma história de amor na ficção? Seja  nos contos de fadas, na literatura universal, nas telenovelas ou no cinema, a empatia com o par romântico é espontânea e genuína. Leitores e telespectadores suspiram e suplicam (tacitamente)  para  que o universo conspire a favor do casal apaixonado.

Mesmo que o par romântico  não tenha nada em comum.  Mesmo que os amantes destoem no temperamento,  na idade , na etnia, em gênero. Ainda  que  não pertençam a mesma classe social,  que venham de realidades divergentes, nós meros fruidores da obra,  não vemos nada, absolutamente, nada como barreira para que o amor se instale entre os dois seres que figuram na ficção. Abolimos em nós toda espécie de preconceito. Aceitamos de bom grado as diferenças, tornamo-nos  cúmplices, padrinhos voluntários do casal.

Torcemos ardentemente pelos romances proibidos da ficção como o de “Tristão e Isolda” e o de “Romeu e Julieta”. Pelo comovente romance adúltero de Francesca e Robert (“Pontes de Madison”). Pelo nada convencional e sublime romance entre uma humana e um “peixe” ( “A forma da água”). Pelo romance improvável (por conta da estratificação social) de uma plebeia  borralheira e um príncipe.  E por falar em contos de fada, quem não torceu, roendo as unhas, em “ Uma Linda Mulher” ( “Pretty Woman”)  pelo magnata Edward  e pela prostitua Vivian (a reinvenção do mito da Cinderela)? Mas isso é mero detalhe na narrativa, porque quando estamos imersos na ficção o que importa mesmo é o amor...

Somos tão românticos, liberais e complacentes com os romances da ficção, mas reacionários, travados, levianos com os romances da vida real. Sem a aura ou a redoma protetora dos livros, da tela do cinema e da TV, sentimo-nos  acuados e descrentes. Temos medo de compromisso, da entrega, da frustração que possa vir a reboque de um amor não-correspondido . Por isso tomamos atalhos fáceis, optamos por amores líquidos, plurais e instantâneos. Porque investir numa relação dá trabalho: requer habilidade para negociar,  dialogar, ceder e recuar quando houver  necessidade para manter a saúde do relacionamento.

Deveríamos colocar nos romances da vida real a mesma fé e energia que dispensamos aos  da ficção. A mesma disposição para transpor barreiras e aceitar as diferenças. No mundo  que não é o do  “faz de conta”, não há príncipes encantados, nem princesas inocentes, existem sim, duas pessoas  que trazem em suas bagagens  vivências, anseios e cicatrizes emocionais. Ambos  precisam se esforçar  para ter uma vida a dois minimamente harmoniosa. Não existe fórmula pronta  para se construir  um relacionamento feliz, no entanto, amor, respeito e cumplicidade são os alicerces primordiais  dessa construção forjada a quatro mãos. 

 

#romance #meuamoreucuido

 

Compartilhe!!!

 

 
 

Please reload

  • Facebook Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • Instagram Social Icon

           www.janelafeminina.com

 created  by Marlúccia Araújo 2015

        Web designer:  Lucas Reis