TRAIÇÃO E ORGULHO


Quando uma pessoa é traída pelo seu par, revolve dentro dela um turbilhão de emoções difícil de elaborar. Uma dor avassaladora parece tragá-la para dentro de um vórtice caótico e obscuro. Arrastada para as zonas cinzentas do pensamento, o raciocínio fica confuso e convulsivo.

O traído começa a fazer conjecturas sobre possíveis tramas que desenrolaram até chegar à tal situação. Nem sempre a tentativa de montar o quebra-cabeça dos fatos é verossímil, pois a mente perturbada pode fantasiar absurdos, o que só faz aumentar o sofrimento da” vítima”. Uma traição não é algo fácil de digerir. Porque naquele relacionamento houve quebra de contrato, cujos fatores capitais foram negligenciados pelo distratante tais como: a confiança, o respeito e a parceria. O traidor comete um ato disrruptivo: rompe, sem aviso prévio, vínculos construídos na base da entrega e das juras eternas de amor. Por conta disso o traído se sente lesado, enganado, pois ele, não só acreditou, como também alimentou o sonho de viver sua inquebrantável história de amor. A traição traz a reboque sentimentos de baixa autoestima, impotência, insegurança, vergonha e fracasso. Ela imobiliza, engessa a pessoa traída na bolha da dor. Todavia, no meio de todo caos surgem oportunidades de crescimento. Aproveitar essa paralisia momentânea para refletir sobre a vida e relacionamentos é girar o botão que sintoniza com a autocura. Encapsular as emoções doloridas é contraindicado nesse contexto que pode ser de puro aprendizado. Todavia, por trás de todo sentimento (gerado pela traição) não elaborado, existe o gérmen do orgulho que perpassa por todas as emoções que causam dor. É ele que superdimensiona o sofrimento. Por conta disso a pessoa traída pode submergir nas águas turvas da autopiedade e se afogar em mágoas. O orgulho ferido vibra na frequência das sombras, atrai os elementos que aprisionam o indivíduo potencializando e prolongando sua dor.

Se ele não se infiltrasse no meio da traição, o processo seria menos doloroso. O orgulho inflado dispara o gatilho da vergonha e acerta impiedosamente a vítima de traição. A lógica é invertida justamente nesse ponto, pois quem deveria se envergonhar do ato ilícito era o traidor e não o traído. Quem falseou, enganou, mentiu e quebrou o contrato? Quem infringiu a Lei do Retorno? Quem contraiu a dívida

com a espiritualidade? Ninguém fica impune pela dor que causa no outro. As leis que regem o visível e o invisível são inexoráveis!

“Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor... Magoar alguém é terrível! ” (chico Xavier).

#Orgulho #traição #LeidoRetorno

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